Há vagas para o existencialismo nos quadrinhos desde que Winsor McCay (1869-1934) puxou os lençóis de Little Nemo pela primeira vez, em 1905. Só que o dorminhoco Nemo, cujo inconsciente dá formas circenses a seus sonhos de picadeiro, não teria malícia suficiente para compreender o que há de existencial nos arranjos de tintas e letras desta iguaria chamada “O Grande Livro Branco”. Para entender a ciranda do desassombro desfiada na embolada a dois por Hannah 23 e Hélio Lopes, nosso maroto Nemo precisaria de anos e anos de U2 e Tom Waits nos tímpanos, dos musicais de Alan Parker nas retinas, de pitadas de Clarice Lispector em desjejuns literários apressados e muitos gibis de Alan Moore. Temperadas com aceto balsâmico, alho-poró, Sartre e Bono Vox, as referências de H&H formam uma salada de folhas crespas capazes de traduzir com a prosódia do pop angústias e anseios de quem recusa o fixismo, o marasmo e a preguiça. “O Grande Livro Branco” é verbo de ação. Na primeira do plural. Inclua-se nela.
Este é um trecho, da resenha feita por Rodrigo Fonseca, leia a resenha completa aqui.
